Lei da IA, 2 de agosto de 2026 · A Europa legisla, o Golem já trabalha em todo o lado
Confiámos-lhe os nossos diagnósticos, as contratações, as notas dos filhos. Nunca dorme, nunca duvida — e ninguém sabe exatamente como decide.
28 de agosto de 2026 · Livro associado : le-golem-est-parmi-nous
A 2 de agosto, a Lei da IA impôs as primeiras obrigações sobre os sistemas de alto risco. Mas em hospitais, tribunais e salas de aula, a inteligência artificial já decide — muitas vezes sem supervisão, por vezes sem recurso.
A Europa legislou. A 2 de agosto de 2026, as obrigações da Lei da IA sobre os chamados sistemas «de alto risco» entraram em vigor: saúde, justiça, educação, contratação, vigilância. Um enquadramento, finalmente. Mas um enquadramento assente numa realidade que não o esperou.
A criatura não dorme. Nas urgências, um algoritmo faz a triagem dos doentes antes do médico. Nos recursos humanos, outro elimina quatro em cada cinco currículos antes que um olhar humano se detenha. Nos tribunais, um terceiro calcula o risco de reincidência. E nos nossos bolsos, um quarto escolhe o que lemos, compramos, acreditamos. O Golem está entre nós. Não esperou por regulamento nem por consentimento para entrar ao serviço.
Nem salvador nem monstro. Eis a armadilha: oscilamos entre a fascinação e o pânico. A IA vai salvar-nos — ou destruir-nos. Dois mitos que se reforçam, dois becos sem saída que impedem a mesma coisa: compreender. A inteligência artificial não é nem uma coisa nem outra. É um amplificador. Toda a questão é saber que mão o segura. É a tese que Olivier Lehé coloca, remontando à lenda do Golem de Praga — essa criatura de argila que protege ou destrói conforme a palavra inscrita na sua testa.
Três mil anos de aviso. Do autómato de Héron de Alexandria aos motores de foguetão, do cavalo de Troia às redes neuronais, este livro percorre três milénios de criaturas fabricadas e dos medos que as acompanham. Não para assustar, mas para armar o olhar. Porque a pergunta não é se a IA é perigosa — é se somos capazes de a governar antes que ela nos governe.
Um autor que conhece a máquina por dentro. Olivier Lehé passou vinte e oito anos nas salas de crise das maiores instituições, à frente de plataformas Cloud, Data e IA. Não teoriza à margem: construiu os sistemas cuja potência — e limites — hoje mede.
O Golem está entre nós — A inteligência artificial, do mito ao domínio. Olivier Lehé · Les Éditions LAEGIS · Ensaio · Brochura a cores · Amazon.